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OCDEPor Bruno Campos de Oliveira

Conflito de Governança: o contraste entre a participação da Pernod Ricard na OCDE e a inércia em instância específica no Brasil

Analistas questionam a coerência institucional de multinacional que mantém diálogo de alto nível no BIAC enquanto ignora o mecanismo de resolução de disputas do PCN brasileiro em caso de supostas violações trabalhistas.

Conflito de Governança: o contraste entre a participação da Pernod Ricard na OCDE e a inércia em instância específica no Brasil — Human Case, dossiê Page Interim / Pernod Ricard
Analistas questionam a coerência institucional de multinacional que mantém diálogo de alto nível no BIAC enquanto ignora o mecanismo de resolução de disputas do PCN brasileiro em caso de supostas violações trabalhistas.

Analistas questionam a coerência institucional de multinacional que mantém diálogo de alto nível no BIAC enquanto ignora o mecanismo de resolução de disputas do PCN brasileiro em caso de supostas violações trabalhistas.

O alinhamento entre o discurso corporativo e a prática de governança enfrenta um teste de estresse que coloca sob lupa a multinacional francesa Pernod Ricard. Enquanto a companhia integra delegações de alto nível junto ao Business at OECD (BIAC) — braço empresarial consultivo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico — sua postura em relação ao Ponto Focal Nacional (PCN) brasileiro, o mecanismo oficial da OCDE para tratar de conduta empresarial responsável, tem sido marcada por um silêncio persistente.

A discrepância levanta questões materiais sobre a integridade institucional e os riscos ESG (Environmental, Social, and Governance) para investidores, especialmente à luz de processos em curso no Ministério Público do Trabalho brasileiro e instâncias de fiscalização na França.

O Contraste de Posturas

Documentos recentes indicam que a Pernod Ricard participou ativamente do "Terceiro Diálogo da OCDE sobre Produtos Ilícitos não Falsificados", em janeiro de 2026, ao lado de gigantes como Amazon e Novartis. Contudo, no contexto de uma Instância Específica instaurada perante o PCN brasileiro por supostas violações ao Capítulo V das Diretrizes da OCDE (referente a Emprego e Relações Industriais), a postura da companhia é de completa ausência.

De acordo com informações do procedimento, a empresa não aceitou nem declinou formalmente o convite para a fase de "bons ofícios", levando o PCN brasileiro a notificar as autoridades francesas e britânicas e a avançar para a elaboração de um relatório final sem a colaboração da companhia.

Risco de ESG e Monitoramento de Investidores. A situação não passou despercebida pelos guardiões do capital internacional. O Government Pension Fund Global (GPFG), da Noruega — um dos maiores investidores institucionais do mundo, reconhecido por sua rigorosa política de monitoramento de riscos de governança e direitos humanos — está acompanhando o caso.

Para o mercado, a questão central reside na materialidade do risco:

Coerência Regulatória: Investidores questionam se é compatível com os pilares de conformidade da OCDE uma empresa participar de fóruns de formulação de políticas enquanto ignora, simultaneamente, o mecanismo de resolução de disputas do próprio organismo quando demandada.

Riscos Reputacionais e Legais: A existência de uma investigação no Ministério Público do Trabalho (Civil Inquiry IC n° 005856.2026.02.000/1), somada a protocolos ativos junto ao Défenseur des Droits e à AMF na França, eleva o patamar de preocupação quanto à gestão de passivos trabalhistas e de governança.

O que o Mercado Espera

O silêncio corporativo em casos de Instância Específica, quando em paralelo se busca protagonismo em espaços de advocacy institucional, tende a ser lido pelo mercado como uma falha de governança. A ausência de resposta à provocação feita ao BIAC sobre sua responsabilidade em mediar essa "aparente contradição" mantém o caso sob radar.

Para os investidores que buscam empresas com práticas de transição real e ética consolidada, o episódio reforça a necessidade de escrutínio rigoroso não apenas sobre os relatórios de sustentabilidade, mas sobre a adesão prática das companhias aos mecanismos de accountability global. A Pernod Ricard, até o momento, não emitiu comentários públicos sobre o andamento do procedimento no PCN brasileiro ou sobre a contradição apontada por partes interessadas.

O mercado financeiro aguarda para ver se a companhia buscará, na fase final do processo, retomar a via do diálogo ou se manterá a estratégia de isolamento, o que pode impactar o rating ESG e a percepção de risco dos ativos da empresa perante fundos institucionais.

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