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ECOVADISPor Bruno Campos de Oliveira

ESG e o Passivo Invisível: Por que EcoVadis e MSCI Falham na Avaliação de Risco?

A PageGroup tem rating "A" da MSCI e risco "Negligível" da Sustainalytics. Já Pernod Ricard é avaliada por agências que, ao que tudo indica, não consideraram a existência de 11 procedimentos internacionais ativos — incluindo uma denúncia na SEC e na CIDH.

ESG e o Passivo Invisível: Por que EcoVadis e MSCI Falham na Avaliação de Risco? — Human Case, dossiê Page Interim / Pernod Ricard
A PageGroup tem rating "A" da MSCI e risco "Negligível" da Sustainalytics. Já Pernod Ricard é avaliada por agências que, ao que tudo indica, não consideraram a existência de 11 procedimentos internacionais ativos — incluindo uma denúncia na SEC e na CIDH.

O mercado de ratings ESG movimenta bilhões de dólares em decisões de investimento, e as agências que o compõem — EcoVadis, MSCI, Sustainalytics, ISS — são vistas como os "gatekeepers" da sustentabilidade corporativa. A PageGroup PLC, por exemplo, ostenta um rating "A" da MSCI e é classificada como de "Risco Negligível" pela Sustainalytics.

A Pernod Ricard, por sua vez, é avaliada pelas mesmas agências e participa de plataformas como o CDP e o World Benchmarking Alliance. O problema é que nenhum desses ratings, ao que tudo indica, reflete a existência de, pelo menos, 11 procedimentos internacionais ativos contra as duas empresas — incluindo uma denúncia formal na SEC (Submission No. 17747-522-785-913), uma petição na CIDH (MC-537-26), três denúncias nos Pontos de Contato Nacionais da OCDE, uma denúncia no Défenseur des Droits francês, um Inquérito Civil do MPT (NF 005856.2026.02.000/1) e uma Reclamação Trabalhista com confissão de dívida assinada (1000293-10.2026.5.02.0050).

A EcoVadis, em particular, abriu em 2 de junho de 2026 um procedimento formal de monitoramento após receber a documentação, mas a agência comunicou que não poderia conduzir uma avaliação formal enquanto o assunto aguardasse resolução judicial. A pergunta que investidores institucionais e compradores corporativos que usam o EcoVadis para due diligence de fornecedores devem fazer é: se uma confissão de dívida assinada, um atestado médico certificando consequências à saúde, uma declaração de assistente social e um silêncio do board não são suficientes para acionar uma reavaliação de rating antes de uma decisão judicial final, o que seria?

A EcoVadis, em particular, abriu em 2 de junho de 2026 um procedimento formal de monitoramento após receber a documentação, mas a agência comunicou que não poderia conduzir uma avaliação formal enquanto o assunto aguardasse resolução judicial. A pergunta que investidores institucionais e compradores corporativos que usam o EcoVadis para due diligence de fornecedores devem fazer é: se uma confissão de dívida assinada, um atestado médico certificando consequências à saúde, uma declaração de assistente social e um silêncio do board não são suficientes para acionar uma reavaliação de rating antes de uma decisão judicial final, o que seria?

O modelo de rating financiado pelo próprio avaliado — o chamado "issuer-pays model" — sempre teve uma tensão intrínseca, e o caso PageGroup/Pernod Ricard parece expor exatamente essa fragilidade: enquanto as agências aguardam a conclusão dos processos, o passivo cresce, os procedimentos internacionais se multiplicam, e os investidores que confiaram nos ratings podem estar carregando um risco que os modelos não capturaram. O mercado de ratings ESG, que se vende como o antídoto para a assimetria de informações, pode estar, neste caso, contribuindo para ela.

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