Human Case
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GOV.UKPor Bruno Campos de Oliveira

Selo Real de Aprovação: PageGroup é Investigada por Suposta Fraude Sistêmica

A PageGroup PLC, listada na FTSE 250 e fornecedora de dezenas de órgãos do governo britânico — incluindo o Cabinet Office, o FCDO e o Ministério da Defesa —, é alvo de Inquérito Civil no MPT por supostas irregularidades sistêmicas na intermediação de mão de obra.

Selo Real de Aprovação: PageGroup é Investigada por Suposta Fraude Sistêmica — Human Case, dossiê Page Interim / Pernod Ricard
A PageGroup PLC, listada na FTSE 250 e fornecedora de dezenas de órgãos do governo britânico — incluindo o Cabinet Office, o FCDO e o Ministério da Defesa —, é alvo de Inquérito Civil no MPT por supostas irregularidades sistêmicas na intermediação de mão de obra.

m 25 de julho de 2026, o Ministério Público do Trabalho recebeu a Notícia de Fato nº 010956.2026.02.000/3, formalizando denúncia sobre supostas irregularidades na intermediação de mão de obra envolvendo empresas do Grupo Page — incluindo Page Interim do Brasil, Michael Page International do Brasil e Page Personnel do Brasil — e a Pernod Ricard Brasil.

O documento, distribuído ao 62º Ofício Geral por conexão com o Inquérito Civil nº 005856.2026.02.000/1, aponta, em tese, indícios de intermediação de mão de obra sem a devida autorização no SIRETT, uso de CNPJ divergente em contratos e ausência de justificativa concreta para contratações temporárias — elementos que, se confirmados, podem caracterizar um padrão sistêmico de inconsistências documentais que afeta um universo estimado em 130.000 trabalhadores.

Em 28 de julho, o Procurador do Trabalho Murillo Cesar Buck Muniz deferiu o pedido de vista e determinou a anexação da Notícia de Fato ao IC em curso, com a ampliação do polo passivo para incluir todas as empresas mencionadas, autorizando diligências como a expedição de ofícios à JUCESP e ao Registro Público de Empresas Mercantis, além da convocação de representantes legais para prestação de esclarecimentos. O procurador ressaltou a necessidade de verificar se as condutas apontadas integram um mesmo grupo econômico e se há habitualidade e caráter sistêmico na suposta intermediação irregular, abrindo caminho para a análise de todo o modelo de intermediação de mão de obra do Grupo Page no Brasil.

O cenário ganha contornos ainda mais delicados quando se analisa a relação da PageGroup com o governo britânico. Uma varredura das páginas de clientes destacados da Michael Page UK — disponíveis publicamente em seu site oficial — identificou dezenas de órgãos públicos britânicos com quem o grupo mantém relação comercial ativa e documentada.

Entre eles, estão o Cabinet Office (que coordena o funcionamento do governo e supervisiona a Government Commercial Function), a Government Commercial Agency (GCA, responsável por £27 bilhões em compras anuais para mais de 18 mil clientes do setor público), o Foreign, Commonwealth & Development Office (FCDO, que integra o Steering Board do UK National Contact Point da OCDE), o Ministério da Defesa (MoD) e a National Crime Agency (NCA), além de reguladores como o Serious Fraud Office (SFO) e o HMRC. Essa ampla exposição ao setor público britânico confere ao grupo, em tese, uma espécie de "selo real de aprovação" — um atestado de idoneidade que contrasta diretamente com as investigações em curso no Brasil.

As tentativas de estabelecer diálogo com as autoridades britânicas sobre o tema, no entanto, encontraram silêncio. Entramos em contato com a Embaixada Britânica em Brasília e com o Consulado Geral do Reino Unido em São Paulo, por telefone e por outros canais institucionais, sem obter resposta ou confirmação de recebimento.

O espaço permanece aberto para que o governo britânico se manifeste sobre o assunto, especialmente considerando que a PageGroup mantém contratos ativos com órgãos diretamente ligados ao Department for Business and Trade (DBT) — o departamento ao qual o UK NCP reporta institucionalmente, e que tem o dever de supervisionar a conformidade de empresas britânicas com as Diretrizes da OCDE para Empresas Multinacionais.

A pergunta que o mercado, os investidores institucionais e os órgãos de controle do Reino Unido precisam fazer não é sobre a culpa ou inocência da PageGroup — matéria que compete ao Judiciário e ao MPT —, mas sobre a consistência entre o escrutínio internacional que o grupo enfrenta no Brasil e a aparente ausência de questionamento público por parte do governo britânico, que segue contratando seus serviços enquanto o MPT investiga supostas fraudes sistêmicas que podem afetar dezenas de milhares de trabalhadores brasileiros. O silêncio das autoridades britânicas, neste contexto, é um dado tão relevante quanto os documentos que compõem o inquérito.

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